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Há quem afirme que a atual crise econômica mundial prenuncia catástrofes maiores que a de 1929. Tudo bem, eu nasci em 1976 mas via tudo aquilo por um ângulo até romântico, o da Família Walton, seriado de TV baseado na época que terminava sempre entre boas noites de toda a família, a começar do John Boy e da Mary Anne. Em tantos anos é possível, portanto, que tenhamos observações românticas semelhantes sobre esta malfadada. Por ora, fiquemos assim: ainda que empresas estejam perdendo muito e as instituições financeiras mais e ainda que seus cartolas banqueiros de fraque e cavanhaque pouco se lixem e comemorem socorros imediatos, o fato é que neste lado do Atlântico o governo parece ter acordado e começa a imaginar soluções. Uma delas, louvado seja Deus, é a de que deve-se investir em setores produtivos da economia. Ministros já anteciparam que não pretendem gastar muito de suas reservas bilionárias de dólares para financiar setores financeiros pouco profícuos, como os bancos, mas sim o que produz riquezas de fato. É nesta hora que o setor sucroalcooleiro entra como candidato corroborado por todos os índices de pesquisas que o apontam como favorito para levar a bolada já no primeiro turno. Ou seja, se o governo realmente pretende investir em setores produtivos, que lance seus olhares e dólares sobre estas plagas, afinal, é com muita dificuldade que os empresários do setor conseguiram amealhar seus frutos em forma de energia doce, elétrica ou de combustão. Com um detalhe: esse pessoal do setor sabe o que é passar por crises. Se desconhece a de 1929, certamente lembra-se e bem de como sofreu em outra ocorrida exatos 70 anos depois, a de 1999. Ali, o setor arregaçou as mangas e saiu ao trabalho e continua disposto a isto. Se chegar dinheiro em forma de financiamentos à cadeia produtora, então, é que o país deslancha de fato rumo ao respeito mundial como potência energética. O mundo desenvolvido já teme a energia brasileira. Não é hora do governo deixar o disjuntor do setor sucroalcooleiro desarmar. É tempo de fortalecê-lo para que, quando e se acontecer, imediatamente sua chave seja religada e a energia do etanol, do açúcar e da bioeletricidade continue a pulsar país e mundo afora.

Fábio Rodrigues - fabio@procana.com.br

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