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Em entrevista à repórter Sabrina Lorenzi, do portal iG, em 10 de dezembro, o presidente da Petrobras, José Sérgio Gabrielli, afirmou que a estatal ainda não entrou na produção de etanol, como havia planejado há mais de dois anos (na realidade são quatro), porque esbarrou em um setor que ainda tem problemas que vão de trabalho escravo a desmatamento de florestas.
“Não adianta entrar no etanol de qualquer maneira. Não interessa entrar em trabalho escravo, não interessa entrar no etanol destruindo a floresta. Queremos um processo que seja sustentável, que tenha
contribuição para o meio ambiente e seja também rentável”, afirmou Gabrielli, que também é economista.
Gabrielli ainda disse que, uma vez vencidos estes obstáculos, várias parcerias com “usineiros”, finalmente sairão do papel, mas não quis revelar com quem e que tipos de parcerias seriam. A declaração de Sérgio Gabrielli é no mínimo preocupante, feita a partir de desinformação, no grau mínimo, e despeito, no máximo.
A desinformação começa quando ele chama os empresários do setor de “usineiros”, uma expressão que remete invariavelmente às antigas eras escuras do colonialismo e coronelismo nacionais, onde barões da cana-de-açúcar e do café agiam, sim, como senhores de engenho e
de escravos, mas isto em tempos que lá se foram, quando Rugendas ainda vivia e pintava.
É preciso admitir que ainda há alguns resquícios de maus tratos até, mas a situação tem mudado para melhor, e muito. O Brasil possui hoje uma das mais vigorosas legislações ambientais do mundo, a ponto de receber menção recente no discurso de abertura da COP-15, na Dinamarca, feita pela presidente do evento, Connie Hedegaard.
A presidente citou as ações empreendidas pelo governo e empresários brasileiros como um exemplo na luta contra as mudanças climáticas.
O fato é que no setor, já hoje, até mesmo para ter espaço no mercado internacional as unidades precisam se adequar e comprovar boas práticas sócio-ambientais.
O despeito de Gabrielli surge, como um tutorial mal redigido, justo em um momento em que o estímulo à produção de etanol é uma das bandeiras do Brasil na Conferência Climática de Copenhague.
E então, ele sai a falar besteira, para não usar a expressão crua que seu chefe, Lula, usou recentemente em São Luiz do Maranhão.
Sim, é verdade, senhor Gabrielle. Não adianta entrar no etanol de qualquer maneira, porque no setor sucroenergético apenas quem é competente se estabelece. Não seria, quem sabe, por este motivo,
que a Petrobras tenta, há quatro anos, entrar no setor e não o consegue? Ademais e afinal, se o senhor, como disse, quer um processo que seja sustentável, que tenha contribuição para o meio ambiente e seja também rentável, então a pergunta é: O que o senhor ainda está
fazendo à frente da Petrobras, que só consegue cumprir o último destes três itens? Josias Messias - josias@procana.com.br
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